Cronofarmacologia - Para cada remédio, um horário ideal

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          Os ritmos biológicos nos seres vivos são resultado direto dos fenômenos ambientais periódicos e recorrentes — como as estações do ano, os ciclos lunares, as marés e o ciclo dia/noite. Esses ritmos influenciam todas as funções do organismo, sejam elas fisiológicas, bioquímicas ou psíquicas.

          Sincronizar o horário de um medicamento com o relógio do organismo faz toda a diferença para aumentar sua eficácia e diminuir efeitos colaterais. É o que defende a cronofarmacologia, ramo da ciência que estuda justamente qual é o melhor momento do dia para um paciente tomar cada medicamento.  Vários estudos mostram que, se tomados na hora certa, alguns remédios vão ser potencializados, enquanto os efeitos colaterais serão menores”, diz a biomédica Regina Pekelmann Markus, professora do Laboratório de Cronofarmacologia do Instituto de Biociências da USP, um dos pioneiros no tema do País.

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Nos últimos 20 anos, a cronofarmacologia mudou a prescrição de alguns remédios, diz o neurologista John Fontenele Araujo, pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. 

          O professor Roberto DeLucia, do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, através da cronofarmacologia, vem estudando os efeitos provocados pela administração de drogas no organismo, responsáveis por mudanças na ritmicidade dessas funções, desde a absorção e o destino de drogas (cronofarmacocinética), até a variação de resposta no local onde a droga vai exercer seu efeito (cronestesia).

          DeLucia ressalta, porém, que é importante conhecer não só a variação rítmica dos efeitos das drogas, mas também das doenças. "A doença é uma expressão de sinais e sintomas de funções do organismo e também tem ritmo biológico. Por isso, se estuda tanto a variação dos efeitos das drogas como das doenças. É a cronofarmacologia aplicada à cronoterapêutica, que incorpora a ritmicidade das doenças, ou seja, as alterações rítmicas patológicas que ocorrem no organismo." O professor explica que esses estudos vêm se intensificando nos últimos 30 anos. "Já existem mais de 50 remédios nos Estados Unidos que têm orientações cronofarmacológicas na bula, ajustando as doses para que tenham efeito mais eficaz numa determinada hora e menos efeitos adversos em outra." Ele cita, como exemplo, o caso da asma. "Como geralmente as crises acontecem no período noturno, a dose utilizada durante o dia pode ser menor, com.a mesma eficácia e menor efeito colateral. O médico pode, porém, prescrever uma dose noturna maior para prevenir o aparecimento da crise."

          Mesmo que um especialista acerte na prescrição de uma droga, o tratamento pode ir por água abaixo sem um cronograma bem definido.

         “As funções orgânicas vivem oscilando conforme o momento do dia. Conhecer suas fases e adequar os medicamentos a elas é importante para melhorar o aproveitamento e reduzir reações adversas”, aprova o fisiologista Luiz Menna-Barreto, da Universidade de São Paulo.

           O planejamento precisa levar em conta tanto aspectos da rotina do indivíduo como certas peculiaridades do funcionamento do organismo. “Isso inclui fatores como sono, alimentação, trabalho, ritmo do sistema digestivo e produção de hormônios”, enumera a farmacêutica Amouni Mourad, assessora técnica do CRF/SP.

          Em outras palavras, o corpo usa a variação entre o dia e a noite para ajustar o seu próprio relógio biológico. É o ciclo circadiano que determina, por exemplo, que a pressão arterial atinja seu pico e a frequência cardíaca aumente um pouco antes do despertar: tudo isso porque ocorrem descargas dos hormônios adrenalina e cortisol nesse horário, ajudando o corpo a se preparar para ficar alerta. Assim, o melhor horário para tomar remédios contra hipertensão é pouco antes de dormir.

          Já a queda de cortisol, que também tem um efeito anti-inflamatório, se dá por volta de 4h, algo de impacto importante para quem tem asma: sem cortisol, os brônquios pulmonares ficam inflamados, dificultando a respiração – é por isso que o remédio contra asma precisa fazer efeito nesse horário.

         O pneumologista José Manoel Jansen da Silva, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, já aplica a cronofarmacologia – assunto que ganhou um capítulo inteiro em um livro organizado por ele: Medicina da noite: da cronobiologia à prática clínica. Para o médico, contudo, ainda faltam estudos sobre o tema. “Conhecemos alguns medicamentos que, de acordo com o horário em que são tomados, sofrem uma interferência muito grande. Mas não existem estudos sobre todos os remédios.”

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Para saber mais:

1. http://www.aspafar.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=119:cronofarmacologia&catid=54:medicamento&Itemid=128

2. http://boaspraticasfarmaceuticas.blogspot.com/2011/05/cronofarmacologia-e-os-ritmos.html

3. http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,para-cada-remedio-um-horario-ideal-,676630,0.htm

4. http://mais.uol.com.br/view/k768y34h1j28/cronofarmacologia-o-melhor-horario-de-usar-os-medicamentos-04028C1A376AE4892326?types=A&

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